Será que buscamos uma cultura alternativa?

O atual reacendimento de um interesse nas culturas tradicionais, em profecias e no fenômeno 2012 não surge por acaso. A era da abundância (de consumo, de trabalho, de informação) que parecemos viver, gera, ao mesmo tempo, uma era de angústias. A crise biosférica, a ameaça de guerras e instabilidade macroeconômica podem causar bastante preocupação às mentes atentas ao movimento das sociedades.  Onde buscar respostas? Diversos cultos e práticas religiosas já não mais preenchem as necessidades espirituais de muitas pessoas, nem ao menos oferecem respostas às milhares de dúvidas que surgem para o ser humano contemporâneo.

Daí ser compreensível o interesse em culturas do passado, em crenças chamadas “alternativas”.  Em algum lugar de nossas mentes, parece que essas visões aparentemente tão avessas ao pensamento moderno, empírico e racionalista, podem fazer sentido.  E podem fazer sentido porque possivelmente entram em sintonia  com níveis mais sutis da realidade, algo que exploramos pouco.

Assim como carregamos uma carga genética, também carregamos uma carga arquetípica que, apesar do passar do tempo, permanece presente nas mais diversas culturas.  Em pouquíssimas palavras, os arquétipos formam um repertório de imagens, símbolos e emoções e fazem parte fundamental de nossa orientação para compreendermos  e nos  adaptarmos  à realidade . Eles estão presentes em nosso inconsciente coletivo (teoria desenvolvida pelo psicanalista suíço Carl Jung) e emanam de uma fonte que ultrapassa nossa mente individual.

Levando essa característica humana em consideração,  a busca por um entendimento dos modos tradicionais de vida (como os de culturas indígenas) e uma curiosidade pelos desdobramentos de profecias  podem fazer muito sentido dentro do contexto de uma  cultura planetária em que vivemos cada vez mais. Talvez não seja o caso de adorarmos aos deuses da chuva ou da guerra. Mas talvez seja o caso de refletir sobre a atual adoração ao consumo, à ciência e ao mercado  global. As culturas tradicionais, ou alternativas, representam formas de conhecimento que,  ao invés de negarmos e rejeitarmos, talvez precisemos aprender a conciliar com nosso próprio.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s