Archive for June, 2010

Tempo de mudança

Artigo publicado em maio no Jornal O GLOBO apresenta o  documentário de João Amorim 2012: Tempo de Mudança.

Inspirado no livro 2012: the return of Quetzalcoatl, do americano Daniel Pinchbeck, o  filme discute a  necessidade do desenvolvimento de projetos sustentáveis como alternativas a um iminente “Fim de Mundo”.

Leia o artigo e assista a um trecho do documentário em:
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/05/14/temendo-fim-do-mundo-em-2012-documentario-de-joao-amorim-apresenta-alternativas-ecologicas-para-uma-vida-sustentavel-916589368.asp


A chegada de Quetzalcoátl

É comum relacionar o ano de 2012 com Quetzalcoátl, mas o que quer dizer essa expressão de pronunciamento quase impossível? Quetzalcoátl era o nome que se dava a divindade de povos mesoaméricos, representada em forma de uma serpente com pluma de aves.

Mas por que essa associação entre 2012 e Quetzalcoátl? Pelo Calendário Maia, o ano de 2012 representa o fim de um Grande Ciclo e começo de um novo. De acordo com as crenças desses povos indígenas, é justamente nesse período que Quetzalcoátl costuma aparecer.

Quetzalcoátl está retratado em impressionantes esculturas e arquitetura de templos e remete sensações de estranhamento e às vezes de repúdio em quem as contemplam. Podemos interpretar Quetzalcoátl como uma projeção imagética daquilo que era desconhecido, isto é, o fim  do Grande Ciclo. Hoje, entendemos Quetzalcoátl como elemento integrante da rica Cultura Maia.


Mentes brilhantes

Existe um pequeno grupo de pensadores brilhantes e criativos que encara a fase atual com originalidade. Ao invés de focarem no apocalipse obscuro e punitivo, percebem que o atual impasse cultural em que vivemos pode guardar ainda outros fatores.

William Irwin Thompson, por exemplo, ex-professor do MIT (Massachussets Institute of Technology), percebe que em meio ao caos atual, há algo mais acontecendo: um movimento de nossas mentes que pode nos trazer de volta a níveis de consciência negados e reprimidos pelo ímpeto materialista da nossa civilização. É como se certos canais de nossa capacidade de cognição e percepção, que estiveram durante muito tempo desligados, pudessem novamente se reacender. Não se trata necessariamente de mediunidade ou capacidade telepática, fenômenos ainda muito encarados como tabus. O ponto interessante, é que ideias de pensadores como Thompson nos levam a crer que o momento em que vivemos poderia realmente estar em conformidade com a dinâmica sistêmica da natureza.

Longe de ser somente “viagem”, esse tipo de pensamento possivelmente nos coloca em contato mais direto com nossa ancestralidade. Grande parte das mentalidades indígenas, por exemplo, não faz distinção entre matéria e espírito, entre a mente e o mundo. Acreditam que os seres humanos não estão separados das leis da natureza e dos ciclos cósmicos. Nesse sentido, o desenvolvimento de nossas sociedades é, em si mesmo, um desenvolvimento natural. Pensamos e podemos ser inteligentes porque a natureza é inteligente.

James Lovelock, Francisco Varela e Gregory Bateson

Thompson fundou na década de 1970 a Associação Lindisfarne, grupo que reuniu cientistas, poetas e acadêmicos em torno da discussão da emergência de uma cultura planetária. Lindisfarne chegou a reunir importantes nomes da ciência como James Lovelock, Francisco Varela e Gregory Bateson. É impressionante como esses cientistas originalmente treinados nos moldes de um pensamento que separa as “coisas da natureza” das “coisas do homem e da cultura”, acabaram remando contra a maré e desenvolveram visões de mundo mais holísticas e talvez menos contraditórias. Isso não significa que suas teorias remetam a um mundo colorido, a seres humanos bonzinhos e a salvações divinas. Longe disso. Lovelock desenvolveu a teoria Gaia; Fransisco Varela, junto com o biólogo Humberto Maturana, desenvolveu a teoria de autopoiese explicando como os sistemas vivos têm a capacidade de se autocriarem como uma condição sistêmica para a vida; Bateson foi um cientista que fez importantes conexões entre a biologia e a comunicação. Todos desenvolveram um olhar sistêmico e abrangente sobre a natureza. Fincaram paradigmas que aproximam nossa condição humana das leis naturais, não só reaproximando espírito e matéria, como também apresentando olhares mais coerentes com as necessidades que os desafios atuais nos apresentam.