Archive for August, 2010

Bate-papo com o cineasta João Amorim

Na pré-estreia do documentário 2012: Tempo de Mudança, o cineasta João Amorim que esteve presente no evento, conversou com o público contando um pouco mais  sobre a produção do documentário e como foi possível a experiência de desenvolver o projeto que é baseado na obra  2012 – O Ano da Profecia Maia do americano Daniel Pinchbeck. A Anadarco Editora & Comunicação lançará o livro  em português no final do ano.

Amorim contou ainda como foi o trabalho conjunto com Pinchbeck nas dezenas de entrevistas que fizeram, inclusive com celebridades como o diretor de cinema David Lynch, a atriz indicada ao Oscar, Ellen Page e o cantor Sting.

Veja um pequeno trecho do bate-papo abaixo.

Novas ações conjuntas entre a estreia do documentário e o lançamento do livro estarão acontecendo e em breve,  o blog “2012 o ano” informará as datas.

Se você ainda não viu, confira o trailer de 2012: Tempo de Mudança.

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Pré-estreia de 2012: Tempo de Mudança lota Sala Crisantempo em SP

João Amorim conversou com o público sobre o seu documentário “2012: Tempo de Mudança”

Uma sessão foi pouco para a exibição do documentário 2012: Tempo de Mudança, do cineasta brasileiro João Amorin, que se inspirou na obra de Daniel Pichbeck 2012: O Ano da Profecia Maia (com tradução pela editora Anadarco para o português em dezembro deste ano). Muita gente se interessou pelo título do documentário e quis conferir o trabalho.

A editora Anadarco esteve presente ao evento e aproveitou a oportunidade para divulgar a data de lançamento do livro 2012: O Ano da Profecia Maia para dezembro deste ano. O evento contou com duas sessões lotadas, o que evidencia uma boa notícia: a questão da sustentabilidade do planeta tem movimentado bastante pessoas que mostram interesse em agir diferente em relação ao modo de produção de energia, de alimentos etc.

Em breve, iremos colocar um vídeo com imagens e mais detalhes do evento.

O público lotou as duas sessões na Sala Crisantempo (quinta-feira – 19/08)

A Anadarco Editora & Comunicação esteve presente no evento e anunciou a data oficial para o lançamento do livro 2012: O Ano da Profecia Maia para dezembro


Convite

(Clique na imagem para ver em tamanho real)


Juntando espírito e matéria

No posfácio da edição americana do livro 2012: o ano da profecia maia (título em inglês,2012: the return of Quetalcoátl), o autor  Daniel Pinchbeck comenta que a obra foi alvo de  interpretações bastante equivocadas por parte da imprensa. Jornalistas comentaram que  somente uma “elite psicodélica atingiria um nível de consciência supramental e assim seria salva no fim dos tempos”.

De fato, nada poderia estar tão longe das ideias do autor.

Não é surpresa que Pinchbeck tenha sido criticado por escrever sobre sua experiência com substâncias alucinógenas. O tema abre margem suficiente não somente para críticas, mas também para uma série de interpreteções errôneas.

A forma que Pinchbeck encontrou para escrever sobre o “fenômeno” 2012 está baseada, primeiramente, em uma busca pessoal. Ao longo de sua jornada,  Pinchbeck foi mergulhando com profundo anseio no terreno xamânico.  Evidentemente, ele não sugere que todos entrem em “viagens” para encontrarem algum sentido em suas vidas…  Seu trabalho vai além das “viagens”: ao longo dos anos, Pinchbeck passou a compilar e reconciliar esforços díspares que tratam do assunto, já que desde a década de 1960, os estudos sobre psicodélicos e suas implicações filosóficas foram convenientemente abandonados.

O estudo de Pinchbeck o levou aos desertos do Novo México e às florestas tropicais da África e das Américas, aprofundando uma jornada rumo a si mesmo e ao seu papel no universo. O fez perceber que nosso paradigma materialista rejeita rudemente os fenômenos como telepatia, telecinese e clarividência, insistindo que a consciência é apenas um epifenômeno do cérebro.

Ao longo de sua trajetória, Pinchbeck foi sentindo como que se a antiga divindade mesoamericana Quetzalcoátl, guiasse seus passos com suavidade e mistério (daí o título na publicação norte-americana). Quetzalcoátl é um símbolo que unifica opostos subjetivos – céu e terra, espírito e matéria, luz e escuridão, ciência e mito. Ele é o deus do vento e da estrela da manhã, distribuidor da cultura, com afinidade especial para a astronomia, para a escrita e para o planeta Vênus.

As mensagens de seu livro, portanto,  não se restringem a um pequeno círculo de excêntricos. Mas elas, no mínimo, cutucam e geram desconforto porque não encaram os fenômenos psíquicos como fantasias insignificantes. “A possibilidade de estabelecer uma compreensão radicalmente diferente da natureza da psique, defendendo crenças antigas, ameaça as mais profundas bases de uma cultura obcecada pela aquisição de riquezas, bens e posição social. Se descobríssemos outros que outros aspectos da realidade  merecem nossa atenção, teríamos que reexaminar o propósito principal de nossa civilização atual,”escreve o autor.


Conheça mais sobre o Xamanismo

No post anterior, mencionamos como Daniel Pinchbeck se aproximou de práticas  xamanistas para encontrar novas formas de percepção. O tema controverso pelo qual o próprio Pinchbeck foi alvo de opiniões desfavoráveis nos fez buscar uma entrevista com Léo Artése, estudioso do Xamanismo e criador do site www.xamanismo.com.br. Léo Artese conduz cerimônias, ritos, grupos de estudo e oficinas de xamanismo desde 1990; é terapeuta holístico e acupunturista.

AnadarcoPoderia explicar em poucas palavras o que é o Xamanismo?
Léo Artése – Atualmente o xamanismo pode ser dividido em duas escolas. O xamanismo tradicional que segue as tradições nativas e o neo-xamanismo que adapta a essência dos povos do passado com práticas terapêuticas e de linhas diversas numa realidade urbana. O xamanismo cobre práticas de cura de ancestrais primitivos e indígenas ao redor do mundo. O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
Defini-se o xamanismo como um conjunto de crenças ancestrais que estabelecem contato com uma realidade oculta, ou estados especiais (alterados) de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio saúde para si mesmo e para as pessoas.

Anadarco – O que é um Xamã?
Léo Artése –
Vem da palavra “Samam” (shah (saber) -man), substantivo e verbo dos Tungus da Sibéria, que pode ser definido como “aquele que sabe”,  mas pela maioria dos estudiosos como é traduzido como “aquele que é inspirado pelos espíritos”.
O xamã pode ser homem ou mulher.

O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como: bruxo, feiticeiro, curandeiro, mago, mágico, vidente, sacerdote, pajé, homem da medicina, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual e outros.

Anadarco – É utilzado algum tipo de alucinógeno no ritual xamanista?
Léo Artése Esclarecendo a sua pergunta:
Nós usamos o termo plantas enteógenas (entheos = Deus dentro) são também reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas. O termo alucinógeno evoca um preconceito. No Genesis 1,29  está o seguinte: Deus disse:  “Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas, contendo em sí mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento”.
Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos deu uma completa farmácia natural. Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos acalmam, nos dão prazer, etc. Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais, alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os nossos ancestrais.

Respondendo a sua pergunta:
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento; a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra, do sol, da lua e das estrelas. Algumas tradições ou condutores se utilizam de plantas, outros de pedras… Para seguir o xamanismo não é imprescindível utilizae o enteógeno… o enteógeno é um caminho entre vários outros.
No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :
·    A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática.
·    A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo.
·    Viagem por mundos paralelos (Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual
·    O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos, animais e seres da natureza.
·    Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo.
·    Interação com espíritos da natureza.
·  Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe/estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc).
·    Conhecimento sobre o fogo.
·    Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas).
·    Canções de Poder.
·    Danças.
·    Respiratórios e dietas.
·    Contação de histórias, preleições.

Anadarco –    O que é Estado Xamânico de Consciência?
Léo Artése – Nós, seres humanos, passamos a maior parte de nossa vida, acordados num estado comum de consciência, porque a maior parte da nossa humanidade entende que é o estado “normal”, mas avanços da ciência mostram que o nosso cérebro produz suas próprias substâncias, veículos para alterar a mente. Entendo que a busca por estados diferenciados de consciência faz parte da natureza humana. Podemos observar isso em crianças, nas brincadeiras de rodopiar até ficarem tontas, ao experimentarem prender a respiração, etc.
Acredito que o ser humano é um buscador de experiências, alguns buscam enfrentando perigos da natureza, no êxtase religioso, nos esportes radicais, no sexo, nas danças, na música, nos esportes. O mesmo acontece nas experiências psicodélicas, com as drogas permitidas como o álcool, com práticas de meditação. Ela é parte legítima da condição humana.
Os estados alterados de consciência no xamanismo, que aqui prefiro chamar de Estados Sagrados de Consciência, não envolvem apenas o transe, e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar-se com espíritos animais, plantas, mentores, obter insights para curas, etc. Estas incluem experiências fora-do-corpo, mudança de forma, transformação em animais, viagens através do tempo (passado ou futuro).
Eliade fala do êxtase, Castañeda do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supra-consciência, e outros nomes, para a mesma manifestação.
Os xamãs compreendem a conexão o corpo, alma e mente, de forma sagrada, espiritual. O trabalho do xamã tem efeito terapêutico ao induzir estados alterados de consciência e criar imagens que comunicam-se com tecidos e orgãos, e até células para promoverem mudanças.

AnadarcoO que é preciso para ser um seguidor do Xamanismo?
Léo Artése – Para praticar esse xamanismo que acredito, você pode ser de qualquer religião, ter a sua própria crença, pois a nossa ligação é com a vida.  Ter o desejo ardente de caminhar  em  busca da realização do propósito da alma. Querer resgatar a relação com o sagrado. Ter a crença que a verdadeira magia está dentro de cada um. Saber  usar o poder que temos para transformar a própria vida, para  viver mais no amor, na paz e na harmonia. O mapa do caminho é inspirado na sabedoria ancestral, no estudo dos talentos dos animais, das plantas, das histórias, das canções, das danças, das cerimônias.

–    Poderia explicar em poucas palavras o que é o Xamanismo?
Atualmente o xamanismo pode ser dividido em duas escolas. O xamanismo tradicional que segue as tradições nativas e o neo-xamanismo que adapta a essência dos povos do passado com práticas terapêuticas e de linhas diversas numa realidade urbana. O xamanismo cobre práticas de cura de ancestrais primitivos e indígenas ao redor do mundo. O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
Defini-se o xamanismo como um conjunto de crenças ancestrais que estabelecem contato com uma realidade oculta, ou estados especiais (alterados) de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio saúde para si mesmo e para as pessoas.
– O que é um Xamã?
Vem da palavra “Samam” (shah (saber) -man), substantivo e verbo dos Tungus da Sibéria, que pode ser definido como “aquele que sabe” , mas pela maioria dos estudiosos como é traduzido como “aquele que é inspirado pelos espíritos”.O xamã pode ser homem ou mulher.
O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como: bruxo, feiticeiro, curandeiro, mago, mágico, vidente, sacerdote, pajé, homem da medicina, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual e outros.
-É utilzado algum tipo de alucinógeno no ritual xamanista?
Esclarecendo a sua pergunta:
Nós usamos o termo plantas enteógenas (entheos = Deus dentro) são também reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas. O termo alucinógeno evoca um preconceito. No Genesis 1,29  está o seguinte: Deus disse:  “Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas, contendo em sí mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento”
Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos uma completa fármácia natural. Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos calmam, nos dão prazer, etc. Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais, alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os nossos ancestrais.
Respondendo a sua pergunta:
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrela. Algumas tradições ou condutores se utilizam de plantas, outros de pedras…Para seguir xamanismo não é imprescindível utilizae o enteógeno…o enteógeno é um caminho entre vários outros.
No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :
·    A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática
·    A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo
·    Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.
·    O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.
·    Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo
·    Interação com espíritos da natureza
·    Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)
·    Conhecimento sobre o fogo
·    Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)
·    Canções de Poder
·    Danças
·    Respiratórios e dietas
·    Contação de histórias, preleições.-    O que é Estado Xamânico de Consciência?
Nós, seres humanos, passamos a maior parte de nossa vida, acordados num estado comum de consciência, porque a maior parte da nossa humanidade entende que é o estado “normal”, mas avanços da ciência mostram que o nosso cérebro produz suas próprias substâncias, veículos para alterar a mente. Entendo que a busca por estados diferenciados de consciência faz parte da natureza humana. Podemos observar isso em crianças, nas brincadeiras de rodopiar até ficarem tontas, ao experimentarem prender a respiração, etc.
Acredito que o ser humano é um buscador de experiências, alguns buscam enfrentando perigos da natureza,no êxtase religioso, nos esportes radicais, no sexo, nas danças, na música, nos esportes. O mesmo acontece nas experiências psicodélicas, com as drogas permitidas como o álcool, com práticas de meditação. Ela é parte legítima da condição humana.
Os estados alterados de consciência no xamanismo, que aqui prefiro chamar de Estados Sagrados de Consciência, não envolvem apenas o transe, e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar-se com espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, para curas, etc. Estas incluem experiências fora- do- corpo, mudança de forma, transformação em animais, viagens através do tempo (passado ou futuro)
Eliade fala do êxtase, Castañeda do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supra-consciência, e outros nomes, para a mesma manifestação.
Os xamãs compreendem a conexão o corpo, alma e mente, de forma sagrada, espiritual. O trabalho do xamã tem efeito terapêutico ao induzir estados alterados de consciência e criar imagens que comunicam-se com tecidos e orgãos, e até células para promoverem mudanças.
– O que é preciso para ser um seguidor do Xamanismo?
Para praticar esse xamanismo que acredito, você pode ser de qualquer religião, ter a sua própria crença, pois a nossa ligação é com a vida.  Ter o desejo ardente de caminhar  em  busca da realização do propósito da alma. Querer resgatar a relação com o sagrado. Ter a crença que a verdadeira magia está dentro de cada um. Saber  usar o poder que temos para transformar a própria vida, para  viver mais no amor, na paz e na harmonia.O mapa do caminho é inspirado na sabedoria ancestral, no estudo dos talentos dos animais, das plantas, das histórias, das canções, das danças, das cerimônias.


Além da razão

Na busca de novas formas de percepção da psique humana, Daniel Pinchbeck fez usos de substâncias psicodélicas. Em um dos capítulos de 2012: the return of Quetzalcoatl , que será traduzido para o português no final deste ano pela Editora Anadarco, o autor comenta suas experiências com DMT (dimetiltriptamina) – substância que é o equivalente psicodélico do bungee-jump – e faz diversos relatos de impressões sobre a separação da matéria e do espírito e como as viagens psicodélicas podem sugerir interpretações nunca antes imaginadas pela linha racional de dedução.

Sua influência para tais experimentos alucinógenos, se deu através de Terence McKenna, pesquisador sobre bases ontológicas do xamanismo e da etnofarmacologia da transformação espiritual. McKenna foi o primeiro autor a profetizar o final dos tempos com a chegada do ano 2012, por meio do calendário maia. E isso aconteceu em 1971, quando o pesquisador e seu irmão foram à aldeia de La Chorrera, nas profundezas da Amazônia colombiana, na esperança de encontrar o oo-koo-he, pó para inalação que contém DMT.

A DMT é produzida internamente no corpo humano, porém ainda é cercado de mistério sobre qual glândula é responsável por sua produção. A substância também está presente em vários gêneros de plantas (AcaciaMimosaAnadenantheraChrysanthemumPsychotriaDesmanthus,
PilocarpusVirolaPrestoniaDiplopterysArundoPhalaris, dentre outros). A Dimetiltriptamina é o princípio ativo da mistura ayahuasca, utilizada nos rituais do Xamanismo e é bem conhecida por índios brasileiros. Sua propriedade psicodélica tem efeito curto e intenso, quando fumada em forma de base livre.


A tarefa do tradutor

Traduzir um texto de uma língua a outra não é somente um trabalho difícl… é uma arte.

Traduzir um livro, portanto,  é uma tarefa fora do comum.

E traduzir um livro como o de Daniel Pinchbeck é uma loucura!

É o que fomos percebendo quando nos propusemos a encabeçar essa tradução para o português. Felizmente, encontramos profissionais competentes e dedicados que abraçaram o projeto de tradução e revisão com rigor.

Diante dessa empreitada , deu para perceber que um tradutor não somente tem que ser profundo conhecedor das duas línguas (aquela do texto original e aquela para a qual o texto está sendo traduzido), como também conhecer a cultura desses diferentes “planetas”, além de ter familiaridade relativa com o assunto que está sendo traduzido.

O trabalho dos últimos meses trouxe à tona um texto que o pensador Walter Benjamin escreveu na dácada de 1920: A tarefa do tradutor (título que demos a este post). A tradução, para Benjamin, não é uma “cópia-xerox”, algo que espelha ipsis litteris o original, mas sim uma “trans-construção do original, uma recriação in-terpretativa dele, tocando-o como uma tangente toca um círculo, em um só ponto”, escreve Flavio Kothe, importante tradutor de Benjamin e de outros autores da língua alemã para o português.

Em um  livro como o de Pinchbeck, o tradutor, por um lado, tem que ser fiel às citações e explicações que o autor oferece sobre temas tão variados (da física quântica ao xamanismo, passando pela teoria crítica e por temas ligados à sustentabilidade). Por outro,  deve também  arriscar-se em um tipo de comunicação que  é poética e sublime – poemas de T.S.Elliot, trechos do livro de Jack Kerouac. O tradutor, dessa forma,  transpõe, tranforma, reforma e repoetiza.

Certamente, a tradução é uma parte  difícil e minuciosa do trabalho. E nos fez entrar em contato mais profundo com essa profissão antiquíssima que une culturas, pensamentos, aprendizados.