Archive for September, 2010

Plantando Consciência

Há uma sensação muito boa quando pensamentos inovadores atingem ressonância – quando reverberam e têm, assim, a chance de forjar novas formas de conhecimento.

Ainda de forma bastante subliminar, estamos vivendo um momento em que um  curioso debate sobre o papel da consciência no desenvolvimento das sociedades está  ganhando repercussão. E são várias as áreas do conhecimento que participam dessa discussão,  numa tentativa de ultrapassar a  visão dualista do mundo:  desde a física e a biologia, até as  artes e os movimentos sociais.

Se Daniel Pinchbeck, autor do  livro 2012: o ano da profecia maia é uma das vozes nesse movimento, ele certamente não está sozinho. Ao  “conversar” com  diversos outros pensadores  em seu livro (a bibliografia é de mais de  170 obras), Pinchbeck apresenta um raixo-X de nossa era e inevitavelmente desperta no leitor a curiosidade acerca  de um amplo leque de temas relacionados.  É quase impossível não se interessar pelo trabalho de Terrence MacKenna , Fritjof Capra e Herbert Marcuse,  pelas obras de Allen Ginsberg e deWilliam Blake ou pela mitologia mesoamericana.

A proposta deste blog segue ideia similar, ou seja, introduz não somente assuntos ligados diretamente ao livro de Pinchbeck, como também apresenta outros pensadores que participam da mudança paradigmática que vivemos. Um dos portais que também está na linha de frente na difusão de ideias férteis e questionamentos bem fundamentados nesse momento de transição é o Plantando Consciência (www.plantandoconsciencia.org / www.plantandoconsciencia.wordpress.com) .

Segundo os autores,  o site “se propõe a distribuir um kit básico com os primeiros passos para esta delicada e frutífera tarefa de jardinagem mental. Nós cedemos as sementes, as instruções para o plantio e os nutrientes vitais. Você entra com o terreno fértil e os cuidados diários. E o século XXI deve então, finalmente, florescer”.

Vale a pena acompanhar o trabalho do Plantando Consciência, que recentemente publicou um apanhado sobre  a obra do físico Amit Goswami e promoverá, em outubro, a exibição do documentário 2012: tempos de mudança de João Amorim na Matilha Cultural (www.matilhacultural.com.br).

Advertisements

Os novos filmes independentes

Daniel Pinchbeck comenta em seu blog (www.realitysandwich.com)  sobre a produção e distribuição de novas mídias e produtos culturais, como o documentário 2012 – Tempos de Mudança

Tradução livre de Karin Thrall

Ao longo dos últimos meses, tenho trabalhado numa estratégia de lançamento do documentário 2012 – tempos de mudança com  o diretor João Amorim, o produtor  Giancarlo Canavesio e a equipe da Mangusta Films. Isso tem sido um grande processo de aprendizado, algo que ainda está em andamento. A transformação das mídias que começou com a Web 2.0 há alguns anos  tem continuado e acelerado. Em decorrência disso, as estratégias mais antigas de distribuiçao e marketing de filmes independentes não mais funcionam. O modelo no qual um novo filme independente estreia  em um festival como Sundance ou Toronto, encontra a partir daí uma empresa de distribuição que pega o filme das mãos do diretor e o leva ao sucesso com grandes retornos financeiros tornou-se uma fantasia. Hoje em dia, pouquíssimos filmes fazem acordos como esse, e mesmo quando o fazem,  raramente conseguem pagar os investidores, remunerar os criadores ou causar grande impacto no mainstream.

Continue lendo…


2012 – Tempos de Mudança… mas, mudar o quê?

Não é de hoje que as sociedades ocidentais pautam as “grandes” decisões do mundo influenciadas pelo fator econômico. O consumo sempre foi um importante avalizador para medir a capacidade de um país de ser desenvolvido. Contudo, o atual modelo de produção de bens e a consequente geração de lixos estão destruindo os elementos essenciais para a vida  na Terra. Especialistas afirmam categoricamente que estamos à beira de um colapso ambiental sem precedentes, se nada fizermos para reduzirmos os níveis de consumo.

Então, é o fim da era do TER para iniciarmos a era do SER? Será preciso reivindicar todas nossas conquistas industriais e tecnológicas a favor de uma fase mais simplória da humanidade? 2012 – Tempos de Mudança, do cineasta brasileiro João Amorim, que se inspirou na obra 2012 – The Return of Quetzalcoatl (título em português 2012 – o ano da profecia maia, a ser lançado no final deste ano pela Anadarco Editora & Comunicação), de autoria do norte-americano Daniel Pinchbeck,  sugere essas e outras implicações tão atuais ao nosso tempo.

No documentário, somos colocados frente a frente com diversas personalidades que estudam e vivem a sustentabilidade do planeta. E antes que qualquer um pense que viver de forma sustentável seja atraso de vida, 2012 – Tempos de Mudança sugere práticas simples e úteis para alcançarmos um estilo de viver mais responsável com relação ao meio ambiente.

Mas o ponto alto do documentário está em trazer a ideia original do livro de Daniel Pinchbeck sobre a percepção humana com relação à catástrofe da natureza. Para o autor, o ano de 2012 seria o momento em que a psique humana coletiva se daria conta de uma forma mais intensa das mudanças que o planeta pode sofrer, caso não fizermos nada e sugere que grande parte da transformação das sociedades estaria ligada a novas formas de percepção da realidade. O próprio autor, ao longo de sua jornada pessoal,  resgatou o uso de psicodélicos participando de diversos rituais em sociedades indígenas, tribos africanas ao redor do mundo como uma forma de autoconhecimento e conhecimento do mundo e da consciência humana. Polêmico? Não seria o termo correto. O mais apropriado seria inquietante, se levarmos em conta as experiências que o autor teve e os argumentos que ele trabalha.

2012 – Tempos de Mudança, assim como o livro,  é revelador e fará com que o telespectador reflita seus atos. Nos mais engajados com a questão ambiental poderá incitar mudanças de comportamento.