México Sagrado


Todos os anos, a psicoterapeuta Sandra Sofiati organiza uma viagem  especial com pessoas interessadas em conhecer com maior imersão a cultura e a tradição dos povos mexicanos. O blog 2012 – o ano que está promovendo o lançamento do livro 2012: O Ano da Profecia Maia, do autor norte-americano Daniel Pinchbeck, entrevistou Sandra para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho. Acompanhe:

Anadarco Poderia contar como se deu a aproximação com a cultura mexicana e os povos indígenas da América Central?
Sandra Sofiati – Na verdade minha conexão com o mundo indígena só aconteceu no México. Em 1983, conheci uma terapeuta mexicana aqui em SP, Blanca Rosa Anorve, psicoterapeuta reichiana/corporal, e muito me impactou sua pessoa e seu trabalho. Deu vontade de morar no México para ser sua discípula e paciente. A isso juntou-se a leitura de Carlos Castaneda e a curiosidade de saber como era esse mundo da “realidade a parte” que Don Juan, um velho sábio índio mexicano, descrevia em seus livros.

Anadarco O que o povo e a cultura do México possuem de especial?
Sandra Sofiati – México é um lugar mágico, se você tiver abertura para perceber o mundo dentro de um referencial que não passa pela mente racional, possivelmente pelas 53 pirâmides espalhadas por todo seu território (grandes antenas cósmicas), ou por seu passado majestoso e ao mesmo tempo misterioso. Além disso, a cultura do México Antigo encontra-se preservada em muitos “pueblos” ainda. Culinária, medicina, agronomia, astronomia e um incomensurável corpo de conhecimento sobre as leis da natureza, tanto terrestre quanto cósmica, encontra-se intacto. Além disso é um lugar cheio de cores, sabores, música, bom humor e muito mistério. O povo é amistoso e amoroso na maioria das vezes, principalmente se você conquista sua confiança. Além disso, são muito lindos!

AnadarcoQual é a proposta da viagem que você promove todos os anos para o México?
Sandra Sofiati – A proposta é cultural e terapêutica ao mesmo tempo. Tenho interesse em difundir a cultura do México Antigo, suas bases filosóficas e espirituais. Dentro da nossa sociedade materialista pouco lembramos que o Espírito existe. No México, quando você entra em contato com o mundo indígena, percebe que o espírito humano não morreu e sua sabedoria ali esta resguardada; os valores espirituais estão vivos. O propósito desta viagem é mostrar isso às pessoas e proporcionar a elas a oportunidade de vivenciar os trabalhos de cura que são próprios desta tradição. É uma experiência de vida que tem de fato o poder da autotransformação.

Em Tepoztlan, “pueblo”  onde a cultura indígena se mantém viva e onde a religação cósmica se dá de forma imediata, seja por sua magia natural ou porque se preserva até hoje como centro cerimonial, ficamos hospedados.

AnadarcoQuem são as pessoas que você apresenta aos visitantes?
Sandra Sofiati – Sempre agradeço por poder contar com pessoas maravilhosas. A equipe que me assessora é formada por terapeutas, artistas, antropólogos e curadores tradicionais indígenas,que são os guardiães desta tradição.

AnadarcoJá teve experiências xamânicas? Poderia nos contar mais a respeito?
Sandra Sofiati – Já usei as plantas de poder em um determinado momento do caminho, sempre em contextos religiosos  ou acompanhada por um xamã. Foram muito importantes porque me proporcionaram a experiência direta com o mundo espiritual e com a possibilidade de acessar níveis de consciência muito além da consciência racional. Convivi em tempos de moradia no México, com guardiães da tradição espiritual e filosófica do México Antigo e com eles participei de cerimônias e trabalhos de cura. Essa relação com as plantas, sejam medicinais ou de poder, faz parte do dia a dia deles. Todos curam com as mãos e seu conhecimento do poder curativo das plantas é fantástico.

Anadarco – Quais são os maiores aprendizados de Carlos Castañeda? (o autor Daniel Pinchbeck menciona Carlos Castañeda em diversas passagens)
Sandra Sofiati – Bem, ele precisou se desprender da visão mecanicista da vida e admitir que podem existir outras realidades além desta realidade ordinária em que vivemos. Finalmente aprendeu a transitar por esses diferentes níveis de realidade e acabou se convertendo em guerreiro. O que é ser um guerreiro na tradição tolteca? “Fortalecendo o corpo e purificando o espírito, o guerreiro busca a impecabilidade de si mesmo. Seus inimigos são vícios, debilidades, irresponsabilidades e a falta da consciência”.

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