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Novo espaço para discutir o livro 2012

A Anadarco editora & comunicação, responsável pela publicação do livro 2012, o ano da profecia maia, de Daniel Pinchbeck está centralizando suas ações de divulgação de trabalhos e informações, inclusive do livro. A partir de agora, fique por dentro das novidadescno no novo blog: www.anadarco.wordpress.com.


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A sustentabilidade como ponte entre o espírito e a natureza

Por que será que quando nos aprofundamos em questões sobre sustentabilidade, inevitavelmente chegamos ao tema da espiritualidade? Talvez porque o horizonte almejado seja a construção de uma relação mais harmônica com a natureza, algo quase paradisíaco, um pote de ouro ao final do arco-íris. Idílico? Nem tanto. Uma proposta como essa deixa de ser utópica se prestarmos atenção no que a própria natureza tem a dizer; se buscarmos trilhar um caminho que amplie nosso espectro de observação – de nós mesmos e do mundo ao nosso redor.

Dois exemplos podem ser facilmente citados. O jornalista André Trigueiro publicou no ano passado o livro Espiritismo e Ecologia, identificando os muitos pontos em comum que existem entre essas duas formas de conhecimento. O príncipe Charles, da Inglaterra, publicou um livro com o título Harmony: a new way of looking at our world, sugerindo que nossos problemas modernos mais urgentes têm suas raízes em uma profunda desconexão com a natureza.

Mas onde exatamente entra a questão do espírito humano e dessa busca interior, sem necessariamente cairmos na armadilha da ênfase exagerada de muitas abordagens religiosas?

Uma bela forma de se pensar na questão é lembrar da origem da palavra “espírito”. No latim, spiritus significa “sopro” ou “respiração”. O significado também está relacionado à palavra anima (também do latim), psyche (grego) e atman (sânscrito). Esses termos indicam que o significado original de espírito, em muitas tradições filosóficas e religiosas antigas tanto no Oriente, quanto no Ocidente, está relacionado ao sopro ou à respiração da vida.

Como a respiração certamente é o ponto central do metabolismo de qualquer ser vivo, a noção de “sopro da vida” pode ser uma interessante metáfora para representar os processos metabólicos de um ser. Espírito, dessa forma, é o que temos em comum com outros seres vivos. É o que nos mantém vivos, como sugere o físico Fritjof Capra.

A espiritualidade ou a vida espiritual pode ser então entendida como uma profunda experiência com a realidade.  Uma experiência espiritual pode ser considerada um momento de elevada sensação de se estar vivo, aqueles momentos em que sentimos que estamos vivendo mais intensamente, algo que envolve mente e corpo, totalidade e comunhão.

A meditação, a concentração, ou até mesmo ouvir uma música agradável, dançar ou um contato direto e contemplativo com a natureza podem nos proporcionar momentos de profunda sensação de unidade, de pertencimento ao universo. E essa sensação de totalidade e integração não pode ser descartada quando sem fala em sustentabilidade.  Será impossível chegarmos a uma forma de relação mais harmônica com a natureza em nossas cidades, em nossas instituições e nossas economias se não tivermos uma sensação de pertencimento ao mundo, expandindo nossas fronteiras do “aqui e agora” rumo a uma simultaneidade com outros tempos e outras dimensões.

Essa sensação de pertencimento só pode intensificar nossa relação com nós mesmos e com o próximo, nossa responsabilidade com o entorno em que vivemos e com as futuras gerações. Talvez possamos dizer que a sustentabilidade passa, necessariamente, pelas vias da percepção, pelos canais mais atentos a nossas conexões entre “o dentro e o fora” de nosso corpo. Precisamos, necessariamente, desdobrar nosso olhar na direção do invisível.

Quem ler o livro 2012: o ano da profecia maia vai perceber que Daniel Pinchbeck, para chegar a esse tipo de conexão, vivenciou ritos de culturas primitivas, viajou pelo mundo e procurou entender o efeito de psicodélicos na mente humana. Mergulhou naquilo que nossa cultura tradicional considera obscuro e esotérico. Mas os resultados de sua jornada espiritual estão longe de serem “viagens na maionese”: Pinchbeck publicou dois livros, é produtor executivo em um documentário sobre sustentabilidade e editor chefe da revista digital Reality Sandwich e do movimento Evolver, promovendo ações com foco no desenvolvimento de um sistema de valores baseados na transformação da cultura e na conexão humana.

O caminho espiritual de Pinchbeck foi trilhado prestando atenção no que os ciclos da natureza e do universo têm a dizer. Quebrou barreiras entre a rígida divisão entre natureza e cultura e começou a trabalhar a favor de um mundo mais solidário e melhor.  Certamente, esse não é a única estrada a ser percorrida em direção a uma relação mais harmônica com a natureza. Qual será a sua?


Plantando Consciência

Há uma sensação muito boa quando pensamentos inovadores atingem ressonância – quando reverberam e têm, assim, a chance de forjar novas formas de conhecimento.

Ainda de forma bastante subliminar, estamos vivendo um momento em que um  curioso debate sobre o papel da consciência no desenvolvimento das sociedades está  ganhando repercussão. E são várias as áreas do conhecimento que participam dessa discussão,  numa tentativa de ultrapassar a  visão dualista do mundo:  desde a física e a biologia, até as  artes e os movimentos sociais.

Se Daniel Pinchbeck, autor do  livro 2012: o ano da profecia maia é uma das vozes nesse movimento, ele certamente não está sozinho. Ao  “conversar” com  diversos outros pensadores  em seu livro (a bibliografia é de mais de  170 obras), Pinchbeck apresenta um raixo-X de nossa era e inevitavelmente desperta no leitor a curiosidade acerca  de um amplo leque de temas relacionados.  É quase impossível não se interessar pelo trabalho de Terrence MacKenna , Fritjof Capra e Herbert Marcuse,  pelas obras de Allen Ginsberg e deWilliam Blake ou pela mitologia mesoamericana.

A proposta deste blog segue ideia similar, ou seja, introduz não somente assuntos ligados diretamente ao livro de Pinchbeck, como também apresenta outros pensadores que participam da mudança paradigmática que vivemos. Um dos portais que também está na linha de frente na difusão de ideias férteis e questionamentos bem fundamentados nesse momento de transição é o Plantando Consciência (www.plantandoconsciencia.org / www.plantandoconsciencia.wordpress.com) .

Segundo os autores,  o site “se propõe a distribuir um kit básico com os primeiros passos para esta delicada e frutífera tarefa de jardinagem mental. Nós cedemos as sementes, as instruções para o plantio e os nutrientes vitais. Você entra com o terreno fértil e os cuidados diários. E o século XXI deve então, finalmente, florescer”.

Vale a pena acompanhar o trabalho do Plantando Consciência, que recentemente publicou um apanhado sobre  a obra do físico Amit Goswami e promoverá, em outubro, a exibição do documentário 2012: tempos de mudança de João Amorim na Matilha Cultural (www.matilhacultural.com.br).


Os novos filmes independentes

Daniel Pinchbeck comenta em seu blog (www.realitysandwich.com)  sobre a produção e distribuição de novas mídias e produtos culturais, como o documentário 2012 – Tempos de Mudança

Tradução livre de Karin Thrall

Ao longo dos últimos meses, tenho trabalhado numa estratégia de lançamento do documentário 2012 – tempos de mudança com  o diretor João Amorim, o produtor  Giancarlo Canavesio e a equipe da Mangusta Films. Isso tem sido um grande processo de aprendizado, algo que ainda está em andamento. A transformação das mídias que começou com a Web 2.0 há alguns anos  tem continuado e acelerado. Em decorrência disso, as estratégias mais antigas de distribuiçao e marketing de filmes independentes não mais funcionam. O modelo no qual um novo filme independente estreia  em um festival como Sundance ou Toronto, encontra a partir daí uma empresa de distribuição que pega o filme das mãos do diretor e o leva ao sucesso com grandes retornos financeiros tornou-se uma fantasia. Hoje em dia, pouquíssimos filmes fazem acordos como esse, e mesmo quando o fazem,  raramente conseguem pagar os investidores, remunerar os criadores ou causar grande impacto no mainstream.

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Bate-papo com o cineasta João Amorim

Na pré-estreia do documentário 2012: Tempo de Mudança, o cineasta João Amorim que esteve presente no evento, conversou com o público contando um pouco mais  sobre a produção do documentário e como foi possível a experiência de desenvolver o projeto que é baseado na obra  2012 – O Ano da Profecia Maia do americano Daniel Pinchbeck. A Anadarco Editora & Comunicação lançará o livro  em português no final do ano.

Amorim contou ainda como foi o trabalho conjunto com Pinchbeck nas dezenas de entrevistas que fizeram, inclusive com celebridades como o diretor de cinema David Lynch, a atriz indicada ao Oscar, Ellen Page e o cantor Sting.

Veja um pequeno trecho do bate-papo abaixo.

Novas ações conjuntas entre a estreia do documentário e o lançamento do livro estarão acontecendo e em breve,  o blog “2012 o ano” informará as datas.

Se você ainda não viu, confira o trailer de 2012: Tempo de Mudança.


Pré-estreia de 2012: Tempo de Mudança lota Sala Crisantempo em SP

João Amorim conversou com o público sobre o seu documentário “2012: Tempo de Mudança”

Uma sessão foi pouco para a exibição do documentário 2012: Tempo de Mudança, do cineasta brasileiro João Amorin, que se inspirou na obra de Daniel Pichbeck 2012: O Ano da Profecia Maia (com tradução pela editora Anadarco para o português em dezembro deste ano). Muita gente se interessou pelo título do documentário e quis conferir o trabalho.

A editora Anadarco esteve presente ao evento e aproveitou a oportunidade para divulgar a data de lançamento do livro 2012: O Ano da Profecia Maia para dezembro deste ano. O evento contou com duas sessões lotadas, o que evidencia uma boa notícia: a questão da sustentabilidade do planeta tem movimentado bastante pessoas que mostram interesse em agir diferente em relação ao modo de produção de energia, de alimentos etc.

Em breve, iremos colocar um vídeo com imagens e mais detalhes do evento.

O público lotou as duas sessões na Sala Crisantempo (quinta-feira – 19/08)

A Anadarco Editora & Comunicação esteve presente no evento e anunciou a data oficial para o lançamento do livro 2012: O Ano da Profecia Maia para dezembro


Conheça mais sobre o Xamanismo

No post anterior, mencionamos como Daniel Pinchbeck se aproximou de práticas  xamanistas para encontrar novas formas de percepção. O tema controverso pelo qual o próprio Pinchbeck foi alvo de opiniões desfavoráveis nos fez buscar uma entrevista com Léo Artése, estudioso do Xamanismo e criador do site www.xamanismo.com.br. Léo Artese conduz cerimônias, ritos, grupos de estudo e oficinas de xamanismo desde 1990; é terapeuta holístico e acupunturista.

AnadarcoPoderia explicar em poucas palavras o que é o Xamanismo?
Léo Artése – Atualmente o xamanismo pode ser dividido em duas escolas. O xamanismo tradicional que segue as tradições nativas e o neo-xamanismo que adapta a essência dos povos do passado com práticas terapêuticas e de linhas diversas numa realidade urbana. O xamanismo cobre práticas de cura de ancestrais primitivos e indígenas ao redor do mundo. O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
Defini-se o xamanismo como um conjunto de crenças ancestrais que estabelecem contato com uma realidade oculta, ou estados especiais (alterados) de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio saúde para si mesmo e para as pessoas.

Anadarco – O que é um Xamã?
Léo Artése –
Vem da palavra “Samam” (shah (saber) -man), substantivo e verbo dos Tungus da Sibéria, que pode ser definido como “aquele que sabe”,  mas pela maioria dos estudiosos como é traduzido como “aquele que é inspirado pelos espíritos”.
O xamã pode ser homem ou mulher.

O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como: bruxo, feiticeiro, curandeiro, mago, mágico, vidente, sacerdote, pajé, homem da medicina, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual e outros.

Anadarco – É utilzado algum tipo de alucinógeno no ritual xamanista?
Léo Artése Esclarecendo a sua pergunta:
Nós usamos o termo plantas enteógenas (entheos = Deus dentro) são também reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas. O termo alucinógeno evoca um preconceito. No Genesis 1,29  está o seguinte: Deus disse:  “Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas, contendo em sí mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento”.
Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos deu uma completa farmácia natural. Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos acalmam, nos dão prazer, etc. Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais, alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os nossos ancestrais.

Respondendo a sua pergunta:
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento; a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra, do sol, da lua e das estrelas. Algumas tradições ou condutores se utilizam de plantas, outros de pedras… Para seguir o xamanismo não é imprescindível utilizae o enteógeno… o enteógeno é um caminho entre vários outros.
No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :
·    A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática.
·    A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo.
·    Viagem por mundos paralelos (Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual
·    O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos, animais e seres da natureza.
·    Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo.
·    Interação com espíritos da natureza.
·  Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe/estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc).
·    Conhecimento sobre o fogo.
·    Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas).
·    Canções de Poder.
·    Danças.
·    Respiratórios e dietas.
·    Contação de histórias, preleições.

Anadarco –    O que é Estado Xamânico de Consciência?
Léo Artése – Nós, seres humanos, passamos a maior parte de nossa vida, acordados num estado comum de consciência, porque a maior parte da nossa humanidade entende que é o estado “normal”, mas avanços da ciência mostram que o nosso cérebro produz suas próprias substâncias, veículos para alterar a mente. Entendo que a busca por estados diferenciados de consciência faz parte da natureza humana. Podemos observar isso em crianças, nas brincadeiras de rodopiar até ficarem tontas, ao experimentarem prender a respiração, etc.
Acredito que o ser humano é um buscador de experiências, alguns buscam enfrentando perigos da natureza, no êxtase religioso, nos esportes radicais, no sexo, nas danças, na música, nos esportes. O mesmo acontece nas experiências psicodélicas, com as drogas permitidas como o álcool, com práticas de meditação. Ela é parte legítima da condição humana.
Os estados alterados de consciência no xamanismo, que aqui prefiro chamar de Estados Sagrados de Consciência, não envolvem apenas o transe, e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar-se com espíritos animais, plantas, mentores, obter insights para curas, etc. Estas incluem experiências fora-do-corpo, mudança de forma, transformação em animais, viagens através do tempo (passado ou futuro).
Eliade fala do êxtase, Castañeda do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supra-consciência, e outros nomes, para a mesma manifestação.
Os xamãs compreendem a conexão o corpo, alma e mente, de forma sagrada, espiritual. O trabalho do xamã tem efeito terapêutico ao induzir estados alterados de consciência e criar imagens que comunicam-se com tecidos e orgãos, e até células para promoverem mudanças.

AnadarcoO que é preciso para ser um seguidor do Xamanismo?
Léo Artése – Para praticar esse xamanismo que acredito, você pode ser de qualquer religião, ter a sua própria crença, pois a nossa ligação é com a vida.  Ter o desejo ardente de caminhar  em  busca da realização do propósito da alma. Querer resgatar a relação com o sagrado. Ter a crença que a verdadeira magia está dentro de cada um. Saber  usar o poder que temos para transformar a própria vida, para  viver mais no amor, na paz e na harmonia. O mapa do caminho é inspirado na sabedoria ancestral, no estudo dos talentos dos animais, das plantas, das histórias, das canções, das danças, das cerimônias.

–    Poderia explicar em poucas palavras o que é o Xamanismo?
Atualmente o xamanismo pode ser dividido em duas escolas. O xamanismo tradicional que segue as tradições nativas e o neo-xamanismo que adapta a essência dos povos do passado com práticas terapêuticas e de linhas diversas numa realidade urbana. O xamanismo cobre práticas de cura de ancestrais primitivos e indígenas ao redor do mundo. O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
Defini-se o xamanismo como um conjunto de crenças ancestrais que estabelecem contato com uma realidade oculta, ou estados especiais (alterados) de consciência, a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio saúde para si mesmo e para as pessoas.
– O que é um Xamã?
Vem da palavra “Samam” (shah (saber) -man), substantivo e verbo dos Tungus da Sibéria, que pode ser definido como “aquele que sabe” , mas pela maioria dos estudiosos como é traduzido como “aquele que é inspirado pelos espíritos”.O xamã pode ser homem ou mulher.
O termo xamã foi adotado, pela antropologia, para se referir a pessoas de uma grande variedade de culturas não ocidentais, que antes eram conhecidas como: bruxo, feiticeiro, curandeiro, mago, mágico, vidente, sacerdote, pajé, homem da medicina, o terapeuta, o conselheiro, o contador de estórias, o líder espiritual e outros.
-É utilzado algum tipo de alucinógeno no ritual xamanista?
Esclarecendo a sua pergunta:
Nós usamos o termo plantas enteógenas (entheos = Deus dentro) são também reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas. O termo alucinógeno evoca um preconceito. No Genesis 1,29  está o seguinte: Deus disse:  “Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas, contendo em sí mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento”
Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos uma completa fármácia natural. Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos calmam, nos dão prazer, etc. Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais, alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os nossos ancestrais.
Respondendo a sua pergunta:
O foco das práticas do xamanismo centra-se nos ritmos cíclicos da natureza: nascimento, morte e renascimento, a complementaridade masculino e feminino, o contato pessoal individual com ambiente imediato da terra, com as forças da terra do sol, da lua e das estrela. Algumas tradições ou condutores se utilizam de plantas, outros de pedras…Para seguir xamanismo não é imprescindível utilizae o enteógeno…o enteógeno é um caminho entre vários outros.
No xamanismo ao redor do mundo podemos ver as similaridades que definem as práticas :
·    A Busca por estados Alterados de Consciência, Vôo da Alma / Êxtase. O xamã é um especialista e um mestre da viagem estática
·    A capacidade de viajar em espírito assumindo a forma de um animal ou ave ou diretamente através daquilo a que chamaríamos de experiência fora-do-corpo. Este vôo mágico é um dos fundamentos do xamanismo
·    Viagem por mundos paralelos ( Reino dos Espíritos). Mundos invisíveis à realidade ordinária a fim de guiar espíritos e obter conhecimento espiritual.
·    O xamã atua como canal de cura. Tem conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza.
·    Devoção à Criação, Sol, Lua, Estrelas. Reconhecimento da presença de Deus em todas as manifestações do Universo
·    Interação com espíritos da natureza
·    Utilização de instrumentos de poder para induzir ao transe /estados alterados de consciência (tambores, maracás, etc)
·    Conhecimento sobre o fogo
·    Utilização de plantas (purificação, enteógenas, medicinais, magnéticas)
·    Canções de Poder
·    Danças
·    Respiratórios e dietas
·    Contação de histórias, preleições.-    O que é Estado Xamânico de Consciência?
Nós, seres humanos, passamos a maior parte de nossa vida, acordados num estado comum de consciência, porque a maior parte da nossa humanidade entende que é o estado “normal”, mas avanços da ciência mostram que o nosso cérebro produz suas próprias substâncias, veículos para alterar a mente. Entendo que a busca por estados diferenciados de consciência faz parte da natureza humana. Podemos observar isso em crianças, nas brincadeiras de rodopiar até ficarem tontas, ao experimentarem prender a respiração, etc.
Acredito que o ser humano é um buscador de experiências, alguns buscam enfrentando perigos da natureza,no êxtase religioso, nos esportes radicais, no sexo, nas danças, na música, nos esportes. O mesmo acontece nas experiências psicodélicas, com as drogas permitidas como o álcool, com práticas de meditação. Ela é parte legítima da condição humana.
Os estados alterados de consciência no xamanismo, que aqui prefiro chamar de Estados Sagrados de Consciência, não envolvem apenas o transe, e sim a capacidade de viajar na realidade incomum com o objetivo de encontrar-se com espíritos animais, plantas, mentores, obter insights, para curas, etc. Estas incluem experiências fora- do- corpo, mudança de forma, transformação em animais, viagens através do tempo (passado ou futuro)
Eliade fala do êxtase, Castañeda do nagual. Nirvana, samadhi, alfa, transe, satori, consciência cósmica, supra-consciência, e outros nomes, para a mesma manifestação.
Os xamãs compreendem a conexão o corpo, alma e mente, de forma sagrada, espiritual. O trabalho do xamã tem efeito terapêutico ao induzir estados alterados de consciência e criar imagens que comunicam-se com tecidos e orgãos, e até células para promoverem mudanças.
– O que é preciso para ser um seguidor do Xamanismo?
Para praticar esse xamanismo que acredito, você pode ser de qualquer religião, ter a sua própria crença, pois a nossa ligação é com a vida.  Ter o desejo ardente de caminhar  em  busca da realização do propósito da alma. Querer resgatar a relação com o sagrado. Ter a crença que a verdadeira magia está dentro de cada um. Saber  usar o poder que temos para transformar a própria vida, para  viver mais no amor, na paz e na harmonia.O mapa do caminho é inspirado na sabedoria ancestral, no estudo dos talentos dos animais, das plantas, das histórias, das canções, das danças, das cerimônias.